“Os erros… dos filhos, dos empregados, dos fracos, dos indigentes, dos ignorantes... são os erros dos pais, dos patrões, dos fortes, dos ricos, dos sábios... A sociedade é culpada por negar-lhes educação... Ela reproduz a escuridão que fabrica. O culpado não é o pecador, mas aquele que o faz viver na escuridão.” Victor Hugo em Os Miseráveis[1]
Miserável designa tanto o destituído quanto o avaro. Ou, nas palavras de Victor Hugo: “o desafortunado e o infame”. E porque -sempre e em toda parte- da erradicação de um resulta a erradicação do outro, a existência de um é sintoma da existência do outro. No primeiro caso, temos civilização. No segundo, barbárie.
Por isso, diz-se que a História é: “o lento pulsar do coração do organismo social, uma sístole e diástole entre concentração de riqueza e explosão revolucionária.”[2] Neste sentido, é curioso notar que, de início, nenhuma das grandes revoluções políticas da História originou-se a partir de pretensões visando mudanças do regime, mas, no regime. Se reis foram enforcados, guilhotinados, colônias foram perdidas e um tzar fuzilado, tais ocorrências se deram por conta da insensatez de uma nobreza intransigente ante o clamor de súditos até então desafortunados, porém, ainda condescendentes.
Pretender que o fluxo da riqueza possa circular apenas por um dos lados do organismo social é auspiciar-lhe a morte. Por hipertensão.
Contudo...
De um modo geral, em seu passado colonial os povos da América Latina padeceram de: 1) espoliação da riqueza local; 2) desprezo pelos naturais e mestiços da terra; 3) trabalho escravo - a excluir do ciclo econômico a maior e sempre crescente parcela da população: a mestiça; 4) crudelíssima repressão a toda e qualquer forma local de autonomia: industrial; política e, é claro, de informação (ou educação, em outras palavras)
Com o advento da Independência das 13 colônias norte-americanas e da Revolução Francesa, aos poucos, ao longo dos últimos dois séculos e muita luta, foram sendo minimizados todos os aspectos repressivos da economia e cultura colonial descritos acima. Hoje, entretanto, mais do que em qualquer época anterior, por força da ascensão de líderes populares ao Poder Executivo de seus Estados, para a maioria dos latino-americanos, sobretudo os do sul, encontram-se francamente abertas todas as vias de acesso ao desenvolvimento material e espiritual. Todas, menos as da informação...
Desde meados desta primeira década do século XXI, a vergonhosa assimetria entre a renda ricos e pobres vem caindo aceleradamente na maior parte da América Latina e, notavelmente, no Brasil. Entretanto, tal progresso regional, que deveria ser motivo de ampla satisfação e união nacional em torno de um objetivo comum (o desenvolvimento de cada país em particular e da região como um todo), tem se mostrado fator de esgarçamento da harmonia social, na medida em que -a partir de abordagens enviesadas por parte da grande imprensa local, concentrada esta nas mãos de poucas empresas, quase sempre pertencentes a grupos familiares oligárquicos- aos olhos de inúmeros e supostamente bem-educados cidadãos locais, muitos dos atuais chefes de Estado dos países latino-americanos tem sido reportados como: bêbados ("cachaceiros"), vagabundos, preguiçosos, analfabetos, ignorantes, ladrões, irresponsáveis, incompetentes, despreparados, grosseiros, populistas...
Embora estranho, seria até aceitável que alguns pudessem sê-lo.
Mas é difícil acreditar que desses muitos o possam ser todos!
E, fato notável: tais líderes -francamente ciosos no que se refere à independência, dignidade e altivez dos povos que representam perante a comunidade internacional- se encontram em flagrante oposição à lideranças que, reportadas como sóbrias, ativas, operantes, cultas, honestas, responsáveis, competentes, preparadas, charming, encantadoras, democráticas... tradicionalmente se mostram ...er... digamos, mais compreensivas (ou tolerantes) face aos, historicamente contumazes, imperiais achaques e espoliações.
Como é possível isto?
Para entender isto, é necessário responder outra pergunta: quê interesses se percebem ameaçados?
E mais: tais interesses seriam, de fato, nacionais?
Para a História talvez não haja resposta única. Tal relatividade, porém, não nos redime de ignorar certos fatos em comum na História da América luso-espanhola. Ao menos, os mais determinantes.
Na Europa do final do século XVIII e início do século XIX, ao lado dos soldados invasores de Napoleão, caminhavam as idéias de uma revolução responsável pelo fim do antigo regime. Com isso, enfraquecidas as monarquias européias, em especial as ibéricas, os líderes políticos da América luso-espanhola, grandes proprietários de terra, não perderam a oportunidade que a ocasião lhes apresentava para livrar-se da tutela de Metrópoles cada vez mais ávidas na cobrança de exorbitantes direitos alfandegários e impostos. Então, de imediato, uma logo após a outra, proclamações de independência fizeram-se ouvir nas colônias americanas luso-espanholas. Porém, tais proclamações não significavam, como no caso europeu, um basta! às velhas tradições do servilismo feudal características do antigo regime. Cuidavam, exatamente, do oposto: de mantê-las.
Na América portuguesa, a imperial família Bragança –retornando para sua real-fazenda lusitana, fez apenas informar a todos os seus distintos clientes e nações amigas que, doravante, a real-fazenda brasileira estaria sob nova (porém familiar) administração.
Por não haver possibilidade de fazerem-se imperiais arranjos familiares ao modo lusitano, a América espanhola, contrastando com um Brasil imperial, tornou-se republicana. E de tal modo que a cada um de seus primeiros presidentes correspondia um poderoso proprietário de terras, mais capacitado do que outros para reunir homens armados a título de formarem-se os exércitos de libertação. Se assim não houvesse sido, seriam apenas cinco ou seis (e não vinte) os atuais países de fala espanhola na América.
Mas os fatos acima se deram quase que como uma troca de seis por meia-dúzia, uma vez que nenhum dos arranjos oligárquicos independentes latino-americanos teria se concretizado caso os representantes das oligarquias rurais que os formularam tivessem se recusado a, conforme lhes foi exigido, hipotecar suas vistosas faixas presidenciais aos interesses mercantis do maior Império da época: a recém-industrializada Inglaterra. Razão pela qual, aos poucos e contrariando seus próprios interesses feudais, a agrária plutocracia latino-americana viu-se obrigada a fazer concessões relativas a “...todos os aspectos repressivos sócio-econômicos e culturais...” sobre os quais assentavam-se privilégios cujos apetites, por maiores que pudessem ser, eram pequenos demais para sobrepujar as necessidades de outros -e mais poderosos- apetites: os das fumegantes fábricas instaladas em Manchester, Leeds...
Ainda assim, observe-se a notável resistência a mudanças na ordem social do Brasil, onde nem mesmo all the king’s men&gold and all the king’s ships&guns foram capazes de extirpar a escravidão.
Porém, menos de uma década após Napoleão ser derrotado (em 1815) pelas forças partidárias do antigo regime, um novo player -a desafiar os interesses ingleses- começou a fazer sentir sua presença na eterna dança da troca-das-cadeiras pela hegemonia mundial.
Diferentemente de seus pares continentais ao Sul, os Estados Unidos da América do Norte originaram-se a partir de uma concepção de povoamento e não de espoliação, ou seja, os aventureiros que para lá se dirigiram o fizeram, grosso modo, sem a intenção de retornar para seus pontos de partida. Vale dizer: estavam ‘em casa’ e não ‘de passagem’. Por isso, talvez, tenham elaborado (em 1823) a famosa Doutrina Monroe: “a América para os americanos” (do Norte), cujos termos implicavam em um ‘chega pra lá’ dirigido aos ouvidos da Inglaterra e um ‘vem pra cá’ endereçado aos corações das Repúblicas latino-americanas, insatisfeitas estas com as imposições comerciais e alfandegárias inglesas (sempre o problema dos impostos...).
E assim, a partir de então -aproveitando-se de uma atávica predisposição das elites governantes regionais, qual seja: procurar auxílio externo poderoso para garantir a continuidade dos privilégios de poucos, impossíveis de se perpetuarem em meio a muitos- “se enredando eredando como el musguito em la piedra, ao longo de quase dois séculos foi se fazendo sentir a profunda influência dos Estados Unidos na vida política e econômica da América Latina.
No caso brasileiro, a falta de afinidade da monarquia -mais inclinada a permanecer ao lado dos primos europeus- com o sistema presidencialista, não chegou a representar um obstáculo intransponível às pretensões hegemônicas estadunidenses. Nada que um bom conflito entre iguais não pudesse resolver. E os oligarcas rurais com mentalidade mais progressista (industrial), prevaleceram sobre seus pares mais inclinados a manutenção do regime escravagista. Tal a origem da República brasileira.
Foi assim. É assim.
Da Babilônia a Persépolis, de Roma a Washington, passando por Londres, é sabido: os impérios dividem para governar. Ou, melhor: imperam dividindo. E o fazem mediante cooptação das elites locais, uma vez que, nelas (desde muito antes de Hollywood e das 'novelas das 8') espelha-se a massa.
E porque existem diferentes tipos de elite, as escolhidas são, precisamente, as mais adequadas para executar o trabalho que delas se espera.
Então, had hoc, são selecionadas aquelas parcelas da elite as quais o diplomata brasileiro Joaquim Nabuco (em 1895)[3], observando seus patrícios em viagens à Europa, definiu como rastaqueras – um sintético vocábulo da Língua Portuguesa a significar "indivíduo que chama a atenção por seus gastos luxuosos e ostentações; que procura ostentar riqueza exibindo-se com gastos excessivos; rude; ignorante" [4].
Não se pense que o trabalho de arregimentação de rastaqueras necessite anúncios ou convocações expressas. Não é necessário. Como comprova a fotografia, sempre haverá um senador livremente disposto a beijar a mão do imperador da vez.
o senador Otávio Mangabeira (UDN-BA) beija a mão do presidente Eisenhower dos EUA,
em visita ao Congresso Constituinte brasileiro (1946)
Conceda-lhe uma distinção qualquer, ceda-lhe os fundos e os meios necessários, e o resto acontecerá por osmose... midiática. ?E quem haverá disposto a levar à reflexão de todos o agudo contraste entre as glamourosas vitórias de celulóide dos boinas verdes de um John Wayne ou de um Silvester Stallone, com as reais dificuldades dos boinas verdes dos generais Westmoreland ou Petraeus? E quem, suficientemente ousado, haverá para comentar que o casaco do Evo Morales ou o chapéu junino do Lula estão inseridos no mesmo contexto da saia (kilt) do príncipe Charles ou do perú (vivo!) de Ação de Graças ao lado do Bush?
Se tais houver, tão logo apareçam, serão desconstruídos. Rapidamente.
Em toda a América Latina
O jornal diário argentino LA NACION, desde sua fundação, em 1870, estampa em sua página de editoriais o lema “LA NACION será uma tribuna de doutrina”
Doutrina? Vá lá, então... Qual doutrina?
Por seu espantoso, porém compreensível, encaixe às teses de Albert Memmi [5], um trecho do editorial deste jornal, publicado no dia 10 de outubro de 2010 e relativo a uma análise da atual conjuntura argentina, fornece uma pista reveladora ao falar -com um certo quê de perplexidade, tristeza e solidão- “da prepotência, do triunfalismo absurdo, da adesão a fórmulas mágicas que levam, com descabida persistência, à indolência e à preguiça para com a cultura do trabalho; e ao estímulo da esperteza nativa e ao menor esforço... que multiplica o espírito de vadiagem...”[6]
Mas como é próprio à natureza das coisas -para o desgosto escatológico dos fundamentalistas e para a esperança eterna dos progressistas- “the times, they’re changing” e, hoje, uma vez mais, revoluções parecem estar ocorrendo no interior dos próprios impérios, sejam estes políticos ou comerciais.
Portanto, para encerrar este pequeno ensaio sobre a existência, ainda, na América Latina, de um último foco de repressão colonial à sua autonomia cultural, nada melhor do que as palavras de uma jornalista espanhola a respeito do movimento reacionário estadunidense Tea Party em sua tentativa de desestabilizar o governo democrático do presidente Obama. A saber:
“A rebelião das elites
Irene Lozado
(excerto)
…sentem que lhes tomaram os velhos privilégios, o que é rigorosamente correto. A não discriminação e a partilha do poder cristalizaram-se na presença de um negro na Casa Branca, em casamentos gay ou em um G-20, onde brasileiros opinam sobre a economia mundial.
Querem reter, em alguma trincheira, uma distribuição de poder capaz de restaurar aquele mundo hierárquico e ordenado no qual se sentiam seguros de uma hegemonia que só disputavam com iguais.
Lá [nos EUA] como aqui [na Espanha], uma blogosfera histérica e certas redes de televisão estão desempenhando um papel fundamental na hora de legitimar a extrema direita. Como explicou Manuel Castells, na sociedade em rede global, como a nossa, os meios [de comunicação] ‘não são o Quarto Poder. São muito mais importantes [do que isso]: são o espaço onde se cria O Poder.’ As relações de poder que se criam serão, pois, definidas por pregadores tacanhos, que doutrinam ao invés de informar, difamam ou caricaturizam o adversário e optam por uma narrativa apocalíptica para satisfazer a uma audiência que prefere ver confirmados seus preconceitos a discutir suas opiniões.
[sobre figuras inexpressivas e caricaturais, porém passíveis de atrair uma grande audiência com gosto pelo bizarro e escandaloso, como foi o caso do pastor evangélico disposto a queimar exemplares do Alcorão] Desde o momento em que lhes outorgam visibilidade, seus delírios passam a estimular o de outros e, desse modo, cria-se um vazio na agenda dos partidos [políticos]. “[7]
Homero Mattos Jr.
http://www.homerotextos.blogspot.com/
http://www.homeromattosjr.blogspot.com/
http://www.diogenes.jex.com.br/
http://www.nosrevista.com.br/
www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=608FDS016
http://www.amalgama.blog.br/
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[1] “Les fautes..., des enfants, des serviteurs, des faibles, des indigents et des ignorants sont la faute des peres, des maîtres, des forts, des riches et des savants. La société est coupable de nes pas donner l’instruction... elle répond de la nuit qu’elle produit… Le coupable n’est pas celui qui y fait le péche, mais celui qui y a fait l’ombre.” Les Miserables p.50 vol. I Éditions Gallimard, 2009 Folio classique 3223, France
[2] Will Durant, The Story of Civilization vol. I ‘Our Oriental Heritage’ cap II ‘Economic Elements of Civilization’ nota pp. 18 e 19 The Easton Press, Norwalk, Connecticut 1992
[3] em Minha Formação, página 11 parág. 4 ed. Fundação Biblioteca Nacional, Departamento Nacional do Livro
[4] Dicionário Houaiss, pág. 2387
[5] Albert Memmi O retrato do colonizado precedido pelo retrato do colonizador pp. 70 a 82
3a.edição ed. Paz e Terra, São Paulo, SP 1989
“O fato sociológico é batizado biológico, ou melhor, metafísico. Pertence à essência do colonizado. [e assim] a relação torna-se uma categoria definitiva. "É o que é porque eles são o que são" e nem um nem outro jamais mudará. O racismo, elemento consubstancial, expressão do fato, um dos traços mais significativos, estabelece a discriminação fundamental entre o colonizador e o colonizado, funda sua imutabilidade. Somente o racismo permite colocar na eternidade uma relação histórica que começou em data certa. A existência do colonizador reclama e impõe uma imagem do colonizado. Álibis, sem os quais a conduta do colonizador, sua existência, pareceria escandalosa. (...) a preguiça... Nada poderia legitimar melhor o privilégio do colonizador que seu trabalho; nada poderia justificar melhor o desvalimento do colonizado que sua ociosidade. O retrato mítico do colonizado conterá então uma inacreditável preguiça. O do colonizador, o gosto virtuoso da ação. Subalimentação; baixos salários; futuro bloqueado; significação irrisória de seu papel social (...) a independência da acusação de quaisquer condições sociológicas e históricas, institui o colonizado como ser preguiçoso. A preguiça é constitutiva da essência do colonizado. Voltamos sempre ao racismo, que é bem uma substantificação, em proveito do acusador, de um traço real ou imaginário do acusado. Quando o colonizador acrescenta que o colonizado é "um retardado perverso", de "maus instintos", "ladrão", "um pouco sádico", legitima sua polícia e sua severidade. (...) inaptidão para o conforto, para a técnica, para o progresso, sua espantosa familiaridade com a miséria: ?porque se preocuparia o colonizador com aquilo que não inquieta de modo algum o interessado? O que é verdadeiramente o colonizado importa pouco para o colonizador. Longe de querer apreender o colonizado na sua realidade, preocupa-se em submetê-lo a essa indispensável transformação. (...) "não é isso", "não é aquilo". O colonizado jamais é considerado positivamente."
[6] LA NACION, pág, 32 Buenos Aires, domingo 10 de octubre de 2010
“La prepotência, el triunfalismo absurdo, que pretende convertir em victórias derrotas que deberian ser apabullantes pero para las que no hay ojos suficientes; la adición a formulaciones mágicas que impelem, em descabellada persistência, a cometer los mismos errores de siempre; el desaliento y la sorna, em fin, hacia la cultura del trabajo y el estímulo de la viveza criolla y del menor esfuerzo menguan la educación popular y multiplican el espíritu da vagância.”
[7] El PAÍS, domingo 17 de octubre de 2010 em ‘LA CUARTA PÁGINA’-OPINIÓN p.25
“La rebelión de las elites
Irene Lozano
…sienten que les han arrebatado sus viejos privilégios, lo cual es rigurosamente cierto. La no discriminación y el reparto del poder acaban cristalizando en la presencia de un negro en la Casa Blanca, una boda gay o ese G-20 donde los brasileños opinam sobre la economia mundial.
Quierem detener en alguna zanja el reparto de poder para restaurar aquel mundo jerárquico y ordenado en que se sentían seguros de su hegemonia y solo disputaban côn sus iguales.
Allí, como aquí, una histérica blogosfera y ciertas cadenas de televisión están desempeñando um papel fundamental a la hora de legitimar a la extrema derecha. Como ha explicado Manuel Castells, en la sociedad red global –la nuestra- los médios ‘no son el cuarto poder. Son mucho más importantes: son el espacio donde se crea el poder’.
Las relaciones de poder que se creen estarán, pues, moldeadas por los pequeños predicadores que adoctrinan en lugar de informar, difaman o caricaturizan al adversario y optan por una narrativa apocalíptica para satisfacer a esa audiência que prefiere confirmar sus prejuicios a contrastar suas opiniones.
Desde el momento en que le otorgan visibilidad, sus delírios estimulan los de otros y se abren hueco en la agenda de los partidos.”
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